As 5 lideranças femininas mais influentes na ação climática

Por Alessandro Meiguins / Ilustrações Marcos de Lima Júnior

 

A crise climática do planeta só vai ser resolvida com o apoio e empenho das mulheres. Quem afirma isso é a UNFCCC, o braço climático da ONU. A entidade enfatiza que "as comunidades se saem melhor em estratégias de resiliência e capacitação quando as mulheres também estão envolvidas no planejamento". Ou seja, elas são peças fundamentais para escaparmos da panela de pressão. Não é teoria. Hoje, mulheres e jovens estão entre as lideranças mais carismáticas pela luta por engajar governantes na ação climática. Conheça as cinco mais influentes:

1.

Suzana Khan Ribeiro

Cientista brasileira / IPCC vice chair entre 2008 e 2015

Quem descreve bem o poder de influência e realização de Suzana é o cientista Carlos Nobre, um dos mais respeitados pesquisadores sobre mudanças climáticas. Veja o que ele diz: ​"Determinada, audaciosa e hábil articuladora, Suzana conseguiu vencer barreiras atávicas dentro do governo federal, o que resultou na reversão surpreendente da posição histórica do país, com o estabelecimento de metas voluntárias de redução das emissões brasileiras [de gases estufa] até 2020, apresentadas na COP15, em Copenhague, pelo presidente Lula... Foi uma das idealizadoras do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), uma espécie de IPCC brasileiro. É nossa grande dama das mudanças climáticas". Além disso, Suzana já foi vice-coordenadora do próprio IPCC e hoje é coordenadora-executiva do projeto Fundo Verde, da UFRJ. Ali, Suzana comanda a transformação de uma das áreas da universidade em um modelo de cidade sustentável, com transporte em carros elétricos e zero emissão de carbono.

Alexandria Ocasio-Cortez

Política norte-americana / Defensora do Green New Deal

Com apenas 29 anos a ex-garçonete e política americana Alexandria Ocasio-Cortez é uma celebridade entre os liberais de Nova York. Com uma proposta política progressista, foi uma das primeiras representantes femininas dos Democratas a chegar ao Congresso Norte Americano. A lista de ideias e propostas de Ocasio-Cortez vai de encontro a uma mudança radical na estrutura dos EUA: desde atendimento médico gratuito ao fim da alfândega, passando pela defesa do badalado Green New Deal, um programa massivo de investimentos em empregos e infraestrutura de energia limpa. O objetivo é descarbonizar a economia e torná-la mais justa. Além do próprio radicalismo climático nas ideias, Ocasio-Cortez atraiu os holofotes da mídia e do povo norte-americano com sua participação constante nas redes sociais e seu lobby por cada detalhe do acordo que tramita no Congresso. Só isso, tudo isso.

2.

Greta Thunberg

Ativista sueca / Lançou o Fridays for Future

Greta é a estrela pop da causa climática. A ativista tem um carisma de engajamento equivalente a um superpoder de herói dos quadrinhos. Uma geração de jovens, artistas de Hollywood, políticos liberais (como Alexandria, acima), cientistas, celebridades: muitos querem marchar com Greta. E é isso que ela faz. A jovem sueca de 16 anos, com Síndrome de Ausperger, deixou de ir as aulas em uma sexta-feira em setembro de 2018 para, municiada apenas de cartazes com frases de alerta sobre a crise climática, postar-se sozinha em frente ao parlamento sueco. A atitude foi viral. Desde então, virou o movimento Fridays for Future e tomou ares de Primavera de Praga: só no dia em que teve marcha e protesto em New York o número de jovens pelo mundo ultrapassou os 4 milhões. Greta é brava, raivosa, só pensa em mudança climática e dispara bravatas irritadíssimas a todos os políticos que a assistem em eventos como a COP24, debates no Congresso Americano ou discursos na ONU. Acompanhe: Greta está apenas começando. Leia mais sobre ela aqui.

3.

4.

Constance Okollet

Ativista senegalesa / Preside a Osukuru United Women

Constance Okollet não é conhecida no Brasil e muito menos nas Américas. Infelizmente por aqui pouco se noticia ou se fala a respeito do trabalho de personalidades que fazem a diferença na África. Constance vive em Tororo, no leste de Uganda, é camponesa e mãe de sete filhos. Preside a Osukuru United Women (OWN), um consórcio de aproximadamente 1.200 pequenos grupos de mulheres que trabalham em educação, saúde e nutrição em suas comunidades. Ao aprender sobre mudanças climáticas, há dez anos, Constance organizou as mulheres em sua rede para explicar as mudanças climáticas e a necessidade urgente de adaptação em práticas agrícolas - para garantir a resiliência da comunidade. Em eventos internacionais, em companhia de Desmond Tutu, Mary Robinson, Connie Hedegaard e outros líderes, Constance fala sobre mudanças climáticas - e o que devemos fazer - com uma capacidade fascinante de contar histórias que impele seus ouvintes à ação. 

5.

Anne Hidalgo

Política francesa / Prefeita de Paris 

Anne Hidalgo é prefeita de Paris desde 2014. Ela advoga há quase vinte anos a causa da igualdade de gênero e há pelo menos seis anos a bandeira climática. Co-sediou a Cúpula do Clima para Líderes Locais em dezembro de 2015, com Michael Bloomberg, enviado especial do Secretário-Geral da ONU para Cidades e Mudanças Climáticas. Em seguida, foi eleita a nova presidente da Cidades C40, rede que une as líderes das 90 cidades mais importantes do mundo, todas comprometidas com as mudanças climáticas. Nascida na Espanha, é ex-inspetora do trabalho e ocupou vários cargos em organizações nacionais e internacionais antes de se tornar a primeira vice-prefeita de Paris (2001-14), quando atuou pelo planejamento e arquitetura urbanos. Participa da iniciativa Women4Climate, da C40, que visa "capacitar e inspirar a próxima geração de líderes climáticos por meio de um programa global de orientação dedicado às mulheres". 

“Preocupamo-nos profundamente com o nosso planeta e seus cidadãos e estamos comprometidas em tomar medidas hoje que deixarão um mundo melhor para as próximas gerações. Quando unimos nossas vozes, somos imparáveis. Nós somos poderosas. Nós somos Women4Climate. ”

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