• Alessandro Meiguins

2020: o melhor e o pior do clima

Por Matthew Shirts


2020 foi um ano excepcional para o clima no mundo. As emissões de gases de efeito estufa caíram 7% em relação a 2019. Emitimos 2,4 bilhões de toneladas métricas a menos de CO2 na atmosfera do que no ano anterior. É uma boa notícia? Até certo ponto, sim. O mundo precisa de quedas de emissões desta ordem de grandeza, uns 7% mesmo, todos os anos, até pelo menos 2030, para evitar o pior do aquecimento global. A pandemia nos mostrou que é possível.

As reduções de emissões precisam ser para já. Não vai dar para pensar em outra coisa que não seja o clima depois de a pandemia passar. Mesmo com esta queda recorde, de 7%, a quantidade de CO2 na atmosfera subiu em 2020. O que aquece ainda mais o clima. 2020 será um dos anos mais quentes da história tal como todos os anos da década anterior.

Na política do clima houve notícias positivas em 2020, sobretudo nos Estados Unidos onde, depois de quatro longos anos, e muita luta, conseguiram finalmente tirar o bode da sala. Donald Trump fez mais para estragar o clima terrestre do que qualquer político na história. Tirá-lo do poder merece ser comemorado em carnavais mundiais assim que chegue a vacina para todos. Melhor ainda, o presidente-eleito, Joe Biden, vem revelando uma disposição inesperada de chamar para si a luta pelo clima. Seu apetite pelo tema cresceu enormemente graças aos ativistas jovens do Sunrise Movement (e outros), autores do movimento pelo Green New Deal. Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, os jovens vincularam seu comparecimento às eleições ao posicionamento do partido.

Democrata diante da questão climática. E fizeram mais. Revelaram ao candidato as manhas de pensar o desafio como uma oportunidade histórica - e não mais como um custo ou peso na economia. Pode ser o começo da virada.

Enquanto se esperava com ansiedade e angústia o resultado da eleição americana, diversas nações contribuíram ao movimento global pelo clima, com metas de reduções de emissões mais agressivas.


A União Europeia aprovou em 2020 o maior estímulo verde da história, alocando bilhões de euros para energia renovável, aquecimento de casa e prédios mais eficiente, ônibus elétricos e ciclovias. Na ONU, o Secretário-geral, o português António Guterres, insistiu no tema mesmo em um ano pandêmico. E a garota-fenômeno Greta Thunberg continuou a cobrar a liderar greves e a cobrar mais ação das gerações no poder.

Noventa por cento da energia instalada em 2020 foi de fontes renováveis, como eólico, solar e hidro. Em 2020 chegamos à marca de dezessete países que já prometeram proibir a venda de carros a gasolina ou diesel em datas que vão de 2025 a 2040. Entre eles estão Suécia, Noruega, Inglaterra, Japão, Taiwã, Áustria, Bélgica, França, Índia, entre outros, sem falar do estado da Califórnia. Caminhamos.

Em termos do clima, o país pária, infelizmente, foi o Brasil. Líder, até outro dia, das nações emergentes em preservação de florestas tropicais e culturas nativas, consideradas formas sofisticadas de combate à mudança climática, o governo federal foi tomado desde a eleição de Jair Bolsonaro por um negacionismo anti-científico que ameaça o futuro da floresta amazônica, as chuvas na América do Sul, a agricultura e o status da nação no âmbito global. Incêndios brutais no Pantanal com cenas dantescas de bichos incendiados foram recebidos com indiferença pelo governo federal. Desmontou-se o inovador Fundo Amazonas, que permitia a nações europeias financiar a fiscalização das florestas amazônicas. As ONGs são retiradas de conselhos governamentais e acusadas sem provas de prevaricação. O resultado desta cruzada contra o meio ambiente é que as emissões de gases de efeito estufa do Brasil devem crescer entre 10 e 20% em 2020, graças ao mais primitivo e menos produtivo fonte de gases de efeito estufa, o desmatamento. Estamos na contramão do resto do mundo.

Mas para não dizer que não falei de flores, vale registrar que 2020 foi o ano no Brasil da fundação da mais nova e inovadora plataforma de cultura climática. Fervura chegou em 2020 para ficar.

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