• Matthew Shirts

Como ficar trilhardário com a crise climática

O mundo não vai acabar com a crise do clima, mas ela vai transformar a sociedade e a economia de forma radical


Por Matthew Shirts


A economia vai mudar com a crise do clima. Tudo que emite gases de efeito estufa será taxado, desvalorizado, boicotado ou, no limite, proibido. Por outro lado, os produtos e empresas que trazem soluções para esta crise, a maior já enfrentada pela humanidade, acredite, serão supervalorizados. O processo já está em curso no mercado de automóveis. A Tesla, do visionário sul-africano Elon Musk, produz, por ano, menos de 400 mil carros elétricos, mas estes não emitem CO2. A General Motors fabrica mais de oito milhões de veículos/ano, à gasolina, em sua maioria. Na bolsa de valores as duas empresas valem a mesma coisa. Como pode? É o seguinte. Os investidores apostam que a Tesla é a fabricante de automóveis do futuro, enquanto a GM é tida como uma empresa do presente e do passado.  Há alguns motivos para isto, mas o mais importante deles é que os carros da Tesla são visto como uma solução para a crise do clima, enquanto os da GM, até agora, são visto como parte do problema.



Diversos países do mundo, entre eles, França, Alemanha e Índia, já anunciaram a proibição de automóveis movidos a gasolina ou a óleo diesel até 2030 ou 2040. Os detalhes variam muito, mas o ponto é: o mundo não vai acabar com a crise do clima, mas ela vai transformar a sociedade e a economia de forma radical. Bill Gates e os outros investidores de peso apostam em alternativas à criação de gado que,  tal como é praticada hoje, contribui para o aquecimento. Colocam milhões em carne à base de plantas ou criada em laboratórios, a partir de células, mas sem animais. Parece ficção científica? Sim, mas há muito dinheiro bom já nisso. Energias solar e eólica, agricultura de baixo carbono, florestas comerciais sustentáveis são apenas alguns dos setores que mostram crescimento exponencial diante da crise do clima. Há pesquisa e até produção em embarcações e motocicletas elétricas e baterias. A frota de ônibus da cidade de Shenzhen, na China, com 14 mil veículos, já é inteiramente elétrica. Todos os ônibus futuros da Califórnia precisam ser elétricos, por lei. E as casas novas naquele estado são obrigadas a trazer painéis solares no telhado para ajudar a gerar energia sem emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, a economia verde, como é chamada, por vezes, não é apenas pesquisa e sonho. Já existe em alguns pontos do planeta.


O Santo Graal da economia do futuro é tecnologia capaz de remover CO2 do atmosfera. É um desafio grande para a engenharia, ainda sem solução. Mas se alguém conseguir vencê-lo é capaz de ficar trilhardário e salvar o sistema climático da Terra. E o autor da façanha será cantado em verso e prosa.


Em colunas futuras vou contar o que está sendo feito de mais interessante para avançar a economia de baixo carbono. A crise do clima é um enorme desafio para a humanidade e uma grande oportunidade para os empresários. O combate ao aquecimento já começou e vai ser cada vez mais intenso e empolgante. 

Matthew Shirts é crônista, amante de hambúrgueres feitos com (e sem) plantas e corinthiano fanático. Co-fundador do Fervura e diretor do World Observatory of Human Affairs, estuda, analisa, comenta e espanta rodinhas falando de crise climática há 15 anos.





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