• Alessandro Meiguins

Como salvar o mundo comendo um pote de açaí

Por Alessandro Meiguins e Matthew Shirts Tanta notícia da pesada sobre o aquecimento global pode gerar uma sensação irritante de impotência - e de que a guerra pelo clima está tão longe e é tão grande que não há nada a fazer. Ledo engano. Além de Fridays for Future, protestos, placas, campanhas com amigos, primos, tios e vizinhos, você pode comer (e usar) açaí e ajudar a salvar a Floresta Amazônica. Vale tudo: suco, sorvete, picolé, barrinha, artesanato, produtos de beleza. Saiba tudo sobre essa revolução calórica.


1. Dá uma força aí Cada vez que você pede um açaí você alimenta um mercado que envolve 25 mil empregos diretos e mais de R$ 40 milhões de receita anuais, segundo a Embrapa. Só no Rio de Janeiro a demanda é sinistra: 500 toneladas mensais. Em São Paulo, são 150 toneladas.


2. O açaí é coletado na floresta O açaizeiro (Euterpe oleracea Mart) é uma palmeira. Pode atingir de 25 a 30 m de altura e são encontradas em alguns estados da região Norte do Brasil. Os frutos são colhidos por ribeirinhos nas florestas, que ajudam a cuidar das regiões de coleta. Sacou? Quanto mais açaí você come, mais e mais as áreas são preservadas. Feita a colheita, os paneiros – cestos típicos de carregar açaí – são levados de barco até cidades maiores, onde os frutos são processados.



3. Carisma internacional Uma dupla de surfistas americanos, Ryan Black e Edmund Nichols, abriu em 2000 uma empresa chamada Sambazon (abreviatura de Saving and Managing the Brazilian Amazon), para levar o açaí para a Califórnia. Eles começaram a processar açaí em embalagens de polpa de fruta misturadas com guaraná e a vendê-las no sul da Califórnia. A ideia só deu certo quando os americanos souberam quais eram os benefícios do açaí. Ele é rico em antioxidantes e aminoácidos.

Ou seja, alimenta e ajuda contra o envelhecimento. Bombou.


4. As cooperativas extrativistas

Hoje, a Sambazon compra frutos de agricultores devidamente certificados do Amapá e do Pará, importando anualmente mais de 15.000 toneladas de açaí, quase o dobro do consumo do Rio e de São Paulo juntos. Há cooperativas por todo o Norte do país, entre elas algumas que atuam na confecção manual das chamadas "biojóias", usando semente e fibra das palmeiras para produzir colares e objetos de decoração. A COFRUTA (Cooperativa de Fruticultores de Abaetetuba), no estado do Pará, tem mostrado possibilidades de crescimento ligado a grandes empresas. A comunidade, de 140 agricultores, fornece açaí para a linha Natura Ekos e inovou nos padrões de qualidade para a venda do fruto orgânico (veja o vídeo abaixo). Para que o mercado do açaí mantenha-se em crescimento sustentável, comer as tigelas lotadas de açaí gelado e nutritivo ajuda muito. Mas informar-se sobre a origem do produto - e incentivar as empresas que auxiliam comunidades e utilizam produtos certificados - é a grande pedida.

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